quinta-feira, 23 de julho de 2026
CFM avalia barrar registro profissional de estudantes reprovados no Enamed
SaúdePor ACEV

CFM avalia barrar registro profissional de estudantes reprovados no Enamed

Conselho Federal de Medicina discute medida que pode impedir formandos com baixo desempenho de exercer a profissão e reacende debate sobre qualidade do ensino médico no país

O Conselho Federal de Medicina (CFM) estuda adotar uma medida que pode impactar diretamente a entrada de novos médicos no mercado. A entidade avalia a publicação de uma resolução que impeça o registro profissional de estudantes concluintes que não alcancem o desempenho mínimo exigido no Enamed, exame nacional que avalia a formação médica no Brasil.


A discussão ganhou força após a divulgação dos resultados mais recentes da prova, que indicaram um cenário preocupante. Dados do Ministério da Educação mostram que cerca de 30% dos cursos de Medicina avaliados apresentaram desempenho considerado insatisfatório, com menos de 60% dos alunos classificados como proficientes. Ao todo, quase 13 mil estudantes podem ser afetados pela eventual restrição ao registro.


Segundo o CFM, a iniciativa busca proteger a população e garantir padrões mínimos de qualidade na prática médica. Sem o registro nos conselhos regionais, os profissionais ficam legalmente impedidos de atender pacientes. Paralelamente, o Conselho articula no Congresso Nacional a criação de um exame próprio de proficiência, nos moldes do que já ocorre em outros países, mas a proposta depende de aprovação legislativa e segue sem avanço.


Além da possível restrição aos estudantes, faculdades com baixo desempenho poderão sofrer sanções administrativas. Entre as medidas previstas estão a redução do número de vagas, a suspensão de financiamentos estudantis e, em casos mais graves, o bloqueio temporário de novos vestibulares para o curso de Medicina.


Para representantes do CFM, os resultados refletem deficiências estruturais de parte das instituições de ensino, como falta de hospitais de ensino, laboratórios adequados e corpo docente qualificado. Já entidades do setor educacional, como a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), criticaram a proposta e classificaram a iniciativa como excessiva, afirmando que o debate precisa considerar o contexto mais amplo da formação médica no país.


O tema segue em discussão e pode provocar mudanças significativas na forma como novos médicos ingressam na profissão, além de intensificar o debate sobre a regulação do ensino superior na área da saúde.

Comentários

Sua opinião é bem-vinda! Os comentários passam por moderação antes de serem exibidos.

Ainda não há comentários neste post. Seja o primeiro a comentar!