
Cientista brasileira revoluciona tratamento de lesão na medula e desponta como favorita ao Nobel de Medicina
Pesquisa liderada na UFRJ já permitiu recuperação de movimentos em pacientes paraplégicos e tetraplégicos e abre nova era para a regeneração neural
Lesões na medula espinhal, historicamente classificadas como irreversíveis pela medicina, podem estar próximas de uma mudança de paradigma. Uma pesquisa conduzida pela cientista brasileira Tatiana Coelho de Sampaio, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, desenvolveu uma abordagem inovadora capaz de estimular a regeneração de neurônios danificados, permitindo a recuperação de movimentos em pacientes antes diagnosticados com paralisia permanente.
Após quase 30 anos de estudos, a equipe liderada pela pesquisadora criou a polilaminina, uma proteína experimental que atua diretamente no local da lesão medular. A substância funciona como uma espécie de “ponte biológica”, favorecendo a reconexão dos neurônios rompidos e criando um ambiente propício para o crescimento dos axônios e a reconstrução dos circuitos nervosos.
A molécula é baseada em proteínas extraídas da placenta humana, conhecidas por seu papel essencial no desenvolvimento do sistema nervoso. O tratamento é aplicado por meio de injeção diretamente na região lesionada da medula espinhal e vem sendo desenvolvido em parceria com o laboratório farmacêutico brasileiro Cristália. A fase 1 dos testes clínicos já recebeu aprovação da Anvisa, etapa que avalia a segurança e os primeiros indícios de eficácia da terapia.
Até o momento, ao menos 16 pacientes brasileiros obtiveram autorização judicial para receber o tratamento experimental. Desses, cinco apresentaram recuperação parcial ou significativa de movimentos, um resultado considerado inédito em casos de lesão medular grave. Entre os relatos estão pacientes que recuperaram sensibilidade em membros inferiores, voltaram a contrair músculos e, em alguns casos, retomaram a capacidade de andar.
Os procedimentos têm sido realizados com acompanhamento médico especializado, sob coordenação do neurocirurgião Bruno Alexandre Côrtes, no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro. A evolução clínica observada após a aplicação da polilaminina tem chamado a atenção da comunidade científica internacional.
Especialistas classificam a descoberta como uma das maiores inovações da medicina brasileira nas últimas décadas. Além de devolver movimentos, o tratamento representa uma mudança profunda no entendimento sobre a capacidade de regeneração do sistema nervoso central. O impacto dos resultados já coloca o nome de Tatiana Coelho de Sampaio no centro das discussões globais sobre avanços médicos disruptivos e a credencia como uma das possíveis indicadas ao Prêmio Nobel de Medicina.