Educação, consciência e evolução social
Autor: Psicanalista Edino Gomes

Este texto é um convite à reflexão. Ler, compreender e analisar ideias exige atenção, maturidade e disposição para ampliar a consciência. Aos 62 anos de idade, continuo observando o comportamento humano e buscando entender as diferenças existentes entre os povos, as culturas e os modelos de educação adotados em diversos países.
Será que já paramos para refletir sobre nós mesmos? Será que o Brasil e outros países da América Latina estão atrasados no processo de evolução da consciência, quando comparados a algumas nações consideradas mais desenvolvidas?
Como professor e psicanalista, venho analisando, há mais de vinte anos, a evolução dos povos em diferentes países. A partir dessas observações, compreendi que o desenvolvimento de uma sociedade não depende apenas de riqueza, tecnologia ou crescimento econômico. Também está relacionado à qualidade de vida, à educação, à formação do caráter, ao respeito, à liberdade, à família, à espiritualidade e aos valores ensinados desde a infância.
Em países considerados de primeiro mundo, especialmente nações democráticas, o ensino costuma valorizar não somente a teoria, mas também a prática. Os alunos são estimulados a desenvolver responsabilidade, autonomia, disciplina, pensamento crítico e consciência sobre seus direitos e deveres.
Na minha visão, uma educação verdadeiramente transformadora deve considerar a formação intelectual, emocional, moral, social e espiritual do ser humano. Valores como amor, respeito, honestidade, responsabilidade, família, Deus, pátria, liberdade religiosa e convivência democrática também podem contribuir para a construção de cidadãos mais conscientes.
A escola não deve ser apenas um lugar onde o aluno recebe uma grande quantidade de matérias. Ela precisa ser um ambiente de formação para a vida. Muitas vezes, os estudantes acumulam conteúdos, provas e obrigações, mas encontram poucas oportunidades para compreender como aplicar os conhecimentos na prática e na convivência diária.
Estudar muito não significa necessariamente aprender bem. O verdadeiro aprendizado acontece quando o aluno compreende o conteúdo, desenvolve interesse e consegue relacionar o conhecimento com a própria realidade.
Por isso, acredito que o modelo de ensino brasileiro precisa ser constantemente avaliado. É necessário questionar se nossas escolas e faculdades estão formando apenas profissionais ou também cidadãos conscientes, responsáveis e preparados para viver em sociedade.
No passado, disciplinas como Organização Social e Política Brasileira, conhecida como OSPB, e Educação Moral e Cívica faziam parte da formação escolar. Embora esses conteúdos possam ser atualizados e adaptados à realidade democrática atual, temas relacionados à cidadania, à ética, à política, aos direitos, aos deveres e ao funcionamento das instituições continuam sendo fundamentais.
Quando uma população não compreende como funciona a política, torna-se mais vulnerável à manipulação, à desinformação e à corrupção. Conhecer as responsabilidades dos governantes e acompanhar as decisões públicas é essencial para diferenciar uma boa administração de uma gestão prejudicial à sociedade.
A educação política não deve servir para impor ideologias, sejam elas de direita, de esquerda, socialistas, comunistas, liberais ou conservadoras. Sua função deve ser ensinar o cidadão a pensar, analisar, questionar e tomar decisões com liberdade e responsabilidade.
Também considero importante discutir o papel da religião e da espiritualidade na formação humana. O ensino sobre religiões não precisa significar a imposição de uma crença específica. Pode representar conhecimento, respeito à diversidade religiosa e compreensão sobre a influência da fé na história, na cultura e na vida de milhões de pessoas.
A liberdade cristã, a liberdade religiosa e o direito de não seguir uma religião devem ser respeitados em uma sociedade verdadeiramente democrática. A escola precisa ensinar o respeito entre pessoas cristãs, católicas, evangélicas, espíritas, integrantes de outras religiões e também aquelas que não possuem fé religiosa.
Deus, família, pátria e amor são palavras que possuem profundo significado para muitas pessoas. Entretanto, esses valores devem ser vividos com respeito, equilíbrio e responsabilidade, sem perseguição, intolerância ou desrespeito às diferenças.
Tenho observado que muitas famílias também se afastaram da participação na formação espiritual e moral dos filhos. Existem adultos que nunca frequentaram uma igreja ou um templo e que não aprenderam sequer uma oração, como o Pai-Nosso. Isso não deve ser utilizado para julgar ninguém, mas pode servir como reflexão sobre o enfraquecimento do diálogo familiar e da transmissão de valores entre as gerações.
A família continua sendo uma das primeiras estruturas de formação do ser humano. É no ambiente familiar que a criança geralmente aprende sobre respeito, limites, amor, responsabilidade, solidariedade e convivência. Contudo, a escola, a comunidade, as instituições religiosas e o Estado também possuem responsabilidades nesse processo.
Outro tema que provoca grandes debates é o desarmamento da população. Existem diferentes opiniões sobre segurança pública, liberdade individual, controle de armas e responsabilidade do Estado. Essa discussão precisa ser realizada com seriedade, equilíbrio, dados confiáveis e respeito à legislação, evitando generalizações ou decisões baseadas apenas no medo.
Da mesma forma, o comunismo, o socialismo, o capitalismo e outros modelos políticos e econômicos precisam ser estudados de maneira profunda. É necessário conhecer suas origens, propostas, experiências históricas, resultados, erros e consequências. Nenhuma sociedade evolui quando seus cidadãos apenas repetem discursos sem analisar os fatos.
Na minha percepção, alguns governos utilizam programas sociais como instrumentos políticos para manter parcelas da população dependentes. Entretanto, é importante reconhecer que políticas de assistência também podem ser necessárias para proteger famílias em situação de pobreza e vulnerabilidade.
O problema não está simplesmente na existência da ajuda social, mas na ausência de oportunidades para que as pessoas conquistem autonomia. Uma política pública responsável deve oferecer proteção temporária, educação de qualidade, qualificação profissional, emprego, saúde e condições para que o cidadão não permaneça eternamente dependente do Estado ou de determinados grupos políticos.
A pobreza não pode ser utilizada como instrumento de poder. A falta de educação, a desigualdade, a corrupção e a dependência política prejudicam o desenvolvimento das nações e dificultam a evolução da consciência coletiva.
Países subdesenvolvidos não mudarão apenas por meio de discursos políticos. A transformação exige investimento sério em educação, valorização dos professores, participação das famílias, respeito à democracia, combate à corrupção, desenvolvimento econômico e formação ética dos cidadãos.
Também precisamos evitar a ideia de que todos os países de primeiro mundo são perfeitos ou de que todas as nações da América Latina possuem populações atrasadas. Cada país possui virtudes, dificuldades, contradições e desafios históricos. O desenvolvimento humano não pode ser medido apenas pela riqueza ou pela localização geográfica.
Uma pessoa evoluída não é somente aquela que estudou muito ou vive em um país rico. Evolução também significa respeitar o próximo, reconhecer os próprios erros, cumprir deveres, defender direitos, cuidar da família, valorizar a liberdade e agir com honestidade.
Precisamos de uma escola com menos acúmulo de informações e mais ensinamentos aplicáveis à vida. Precisamos de alunos que não apenas decorem conteúdos, mas que saibam interpretar, argumentar, trabalhar, conviver, respeitar e transformar a realidade.
A educação deve preparar o estudante para compreender a democracia, combater a corrupção, respeitar as religiões, valorizar a família, conhecer a história do país e exercer sua cidadania com responsabilidade.
A verdadeira evolução começa quando deixamos de culpar somente os outros e passamos a analisar nossas próprias atitudes. Governantes, professores, famílias, instituições e cidadãos possuem responsabilidades na construção do futuro.
O Brasil precisa fortalecer uma educação que una teoria e prática, conhecimento e caráter, liberdade e responsabilidade, ciência e consciência. Somente assim poderemos formar uma população menos vulnerável à manipulação e mais preparada para construir uma nação democrática, justa, desenvolvida e consciente.

Autor: Psicanalista Edino Gomes
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