
Foto: FCO FONTENELE
Mancha escura volta a atingir o mar da Praia do Mucuripe após início das chuvas
Registros indicam lançamento irregular de resíduos por galerias pluviais e reforçam alerta ambiental e de saúde pública em Fortaleza
O início da quadra chuvosa em Fortaleza trouxe novamente à tona um problema antigo na orla da capital cearense. Nesta semana, a água do mar apresentou coloração escura e forte odor nas proximidades da Praia do Mucuripe, especialmente na área próxima ao deságue de galerias pluviais ligadas ao riacho Maceió.
Imagens registradas no local e divulgadas por ativistas ambientais mostram não apenas a alteração na cor da água, mas também o acúmulo de resíduos sólidos sendo levados ao mar pelas galerias. A situação tem se repetido em diferentes trechos da orla e costuma se intensificar com o aumento das chuvas, quando o sistema de drenagem acaba transportando materiais acumulados nas vias urbanas.
Segundo a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis), parte da água escurecida pode estar relacionada ao arraste de sedimentos, areia e lixo pelas galerias de águas pluviais. No entanto, o órgão não descarta a possibilidade de lançamento irregular de esgoto e afirma que as fiscalizações seguem em andamento. No início de janeiro, um condomínio localizado na avenida Beira Mar foi autuado por despejar efluentes na rede de drenagem, prática proibida pela legislação municipal.
A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) também reconhece que o problema está ligado ao uso inadequado da rede pluvial. De acordo com a empresa, apesar de haver infraestrutura de coleta de esgoto disponível na região do riacho Maceió, cerca de 320 imóveis ainda não estão conectados ao sistema sanitário, o que contribui para a contaminação das águas costeiras.
Ao longo do último ano, ações conjuntas entre Agefis, Cagece e Ambiental Ceará resultaram em centenas de fiscalizações na orla, com notificações e autuações por irregularidades como ligações clandestinas, extravasamentos e descarte inadequado de água servida. Além disso, testes técnicos e visitas aos moradores têm sido realizados para incentivar a regularização das conexões ao esgotamento sanitário.
Especialistas alertam que a presença de esgoto no mar representa um risco direto à saúde pública. O contato com água e areia contaminadas pode provocar doenças gastrointestinais, infecções cutâneas e problemas respiratórios, especialmente em crianças, idosos e pessoas com imunidade comprometida. Diante do cenário, a recomendação é evitar o banho de mar nas áreas afetadas até que as condições ambientais sejam normalizadas.