sexta-feira, 31 de julho de 2026
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Onda de ventania atinge estados brasileiros e chama atenção para fenômenos climáticos extremos

Imagem Gerada por Inteligência Artificial

BrasilPor Bruna Costa - ACEV

Onda de ventania atinge estados brasileiros e chama atenção para fenômenos climáticos extremos

Encontro de uma frente fria com o ar quente favoreceu rajadas intensas no Sul e no Sudeste; especialistas explicam a possível influência do El Niño

Uma forte onda de ventania atingiu diferentes estados brasileiros na quarta-feira, 29 de julho, provocando quedas de árvores, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia e alterações em serviços de transporte. Os efeitos mais expressivos foram percebidos em áreas de São Paulo, Rio de Janeiro e da Região Sul.

Em alguns pontos do estado de São Paulo, as rajadas ultrapassaram os 120 quilômetros por hora. No Rio de Janeiro, também foram registrados ventos fortes, com reflexos na circulação urbana, nos aeroportos e na rede elétrica. O fenômeno chamou atenção pela velocidade com que se formou e pela intensidade apresentada em áreas bastante urbanizadas.

O que provocou a ventania?

A causa imediata da ventania foi a aproximação de uma frente fria, que encontrou uma massa de ar mais quente sobre parte do Sudeste. Esse contraste entre massas de ar com temperaturas diferentes contribuiu para a formação de uma grande diferença de pressão atmosférica.

O ar tende a se deslocar das áreas de maior pressão para as áreas de menor pressão. Quanto maior essa diferença, chamada de gradiente de pressão, maior pode ser a velocidade do vento. Foi justamente esse processo que favoreceu as rajadas intensas observadas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O Instituto Nacional de Meteorologia, o Inmet, já havia identificado uma frente fria se deslocando pelo Oceano Atlântico e uma redução da pressão atmosférica sobre o Sul do país. Essa configuração contribuiu para a formação de um amplo cavado, uma área alongada de baixa pressão que favorece a instabilidade, a formação de nuvens carregadas e a ocorrência de chuva e vento.

Outro elemento importante foi a intensificação do chamado Jato de Baixos Níveis. Trata-se de uma corrente de vento que atua a aproximadamente 1.500 metros de altitude e transporta calor e umidade para a Região Sul. Esse fluxo fornece energia para a formação de tempestades e também pode contribuir para o aumento dos ventos próximos à superfície.

Sul registrou chuva intensa, granizo e tornado

Enquanto a ventania avançava sobre áreas do Sudeste, a Região Sul permanecia sob forte instabilidade atmosférica. No Rio Grande do Sul, foram registrados grandes volumes de chuva, queda de granizo e ventos intensos.

Entre a noite de terça-feira, dia 28, e a manhã de quarta-feira, dia 29, o município de Itaqui registrou 151,6 milímetros de chuva em apenas 12 horas. Na mesma cidade, as rajadas chegaram a 89,1 quilômetros por hora. Em Quaraí, os ventos atingiram 80,5 quilômetros por hora.

A Defesa Civil também confirmou a passagem de um tornado pela região rural dos municípios de Giruá, Senador Salgado Filho e Sete de Setembro, no noroeste gaúcho. O episódio ocorreu dentro de um cenário de tempestades severas, com grande disponibilidade de calor, umidade e instabilidade na atmosfera.

A ventania foi causada pelo El Niño?

O El Niño não deve ser apontado como a causa única e direta da ventania. O episódio registrado na quarta-feira teve como principais responsáveis a passagem da frente fria, a diferença de pressão atmosférica, o encontro entre massas de ar e a atuação de correntes de vento em níveis mais baixos da atmosfera.

O El Niño, entretanto, funciona como uma condição climática de maior duração, capaz de alterar os padrões de chuva e temperatura durante vários meses. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas do Oceano Pacífico Equatorial.

Segundo o Painel El Niño 2026–2027, elaborado por órgãos como Inmet, INPE, Cemaden, Agência Nacional de Águas e Defesa Civil Nacional, a configuração do fenômeno foi confirmada em junho de 2026. Os modelos indicam probabilidade superior a 90% de permanência até, pelo menos, o início de 2027.

Para o trimestre entre julho e setembro de 2026, as projeções apontam maior probabilidade de chuva acima da média em áreas da Região Sul. Isso significa que o El Niño pode criar um ambiente mais favorável à ocorrência de períodos chuvosos e tempestades, mas não explica sozinho cada ventania, tornado ou temporal registrado no país.

Diferença entre ventania, tempestade e tornado

A ventania corresponde à ocorrência de ventos fortes, que podem estar relacionados à passagem de frentes frias, tempestades ou grandes diferenças de pressão atmosférica.

Já a tempestade envolve uma combinação de chuva, descargas elétricas, rajadas de vento e, em algumas situações, granizo. O tornado é um fenômeno mais localizado e apresenta uma coluna de ar em rotação que se estende da base de uma nuvem de tempestade até o solo.

Apesar de poderem ocorrer dentro do mesmo sistema meteorológico, esses fenômenos possuem características diferentes e precisam de confirmação técnica por meio de radares, imagens, medições e avaliação dos danos observados.

Monitoramento deve continuar

Os eventos registrados nesta semana reforçam a importância do acompanhamento dos avisos meteorológicos. As condições atmosféricas podem mudar rapidamente, principalmente durante a passagem de frentes frias e a formação de tempestades severas.

Durante ventos fortes, a recomendação é evitar áreas próximas a árvores, postes, placas, muros e estruturas metálicas. A população também deve acompanhar os alertas emitidos pelo Inmet e pelas Defesas Civis estaduais e municipais.

Fontes: Instituto Nacional de Meteorologia, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, Governo do Rio Grande do Sul, Defesa Civil e informações jornalísticas verificadas em 30 de julho de 2026.

C omunicação ACEV - Equipe Cleane Fontenele

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